Uma das maiores vantagens que a Memória pode oferecer a uma Instituição é o espaço para a multiplicidade das vozes. Paul THOMPSON, em seu livro "A voz do Passado - História Oral", examina os efeitos benéficos para a sociedade quando esta expressa o seu passado sob as mais diversas vozes - sem discriminações. THOMPSON privilegia os depoimentos orais no processo identitário de uma população. Segundo ele, a História precisa deste instrumento porque transforma a todos em sujeitos dignos de atenção, valoriza a vida dos que não tem oportunidade de destaque, não classifica, não censura, não exclui - ou seja, a História Oral é alimento essencial para a democracia.Ao estudar as instituições do RS que adotam programas de Documentação e Memória, começo a me indagar: Mas a quem elas ouviram? Quem está sendo resguardado dos golpes fatais do esquecimento? Somente os dirigentes, os líderes fundadores, a cúpula administrativa? Ou estão enfocando as pessoas mais simples, mas que, sem o esforço delas, a instituição não teria construído os pilares que sustentam o hoje?
Afinal, quem são considerados heróis? Apenas os antigos sócios que decidiram as transações e negócios? Ou também os que trabalharam arduamente para transformar as matérias-primas em excelentes produtos? E ainda aqueles que, com muito suor, trabalharam para deixar limpo o ambiente em que se ergue a instituição?
Quanto mais a história se aproxima das fontes "escondidas", anônimas ou esquecidas, mais ela revela a face da verdade.
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