Relato de uma Pesquisa Científica

O quanto os acervos e programas de documentação e memória podem ser favoráveis para a construção de relacionamentos entre a instituição e seus públicos? No meio de tanto caos, as relíquias do tempo merecem um pouco mais de atenção, por isso realizo esta pesquisa. Se deixarmos que o passado se degenere silenciosamente, onde ficará a nossa identidade? Instituições são como pessoas, uma amnésia pode derrotar o futuro.

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Tempo pedindo atenção!

Meu Deus, como esse tempo passa rápido! Já é Natal, vou para casa da minha mãe, portanto, ficarei uma semana sem Internet, sem postar novos textos (tudo bem, ando sem inspiração mesmo).
Tá uma correria, por acaso você não tem impressão que, no mundo pós-moderno, o tempo transcorre de forma mais veloz?

Quando a gente se dá por conta, o hoje já passou, virou ontem.

Guardamos os papéis, as fotografias, ficamos com peso na consciência quando não reservamos um lugar para os artefatos do presente, pois o futuro pode passar por cima e, assim, não sobrar nada para contar história.
Ficamos na esperança de que o ato de guardar pode ser um grande antídoto para o esquecimento.

Para que guardar tanta coisa? Como aquela teste de matemática que você tirou 8? Como os dentes de leite? Como o perfume do primeiro namorado?
Pierre NORA fala que vivemos uma verdadeira obsessão arquivística. Mas é claro, do jeito que a tcnologia invade a nossa vida e tudo ela transforma, cresce o medo de não restar mais lembranças. Alguém se lembra do seu primeiro modelo de celular?

Conte-me, qual a sensação de tocar nos objetos antigos? A sensação de que você realmente viveu!!!!!
Quando comemoro meus aniversários é nisso que fico pensando: a vida foi muito boa para mim. Mesmo com os obstáculos, sempre existe a saudade de algum episódio.
Acho meio idiota pessoas que ficam reclamando de serem velhas. Afinal, o tempo, esse menino travesso, apronta as ciladas justamente para nos tornarmos mais sábios. E se nós não lhe darmos o mínimo de atenção perdemos a rota dos sonhos. É num piscar de olhos que tudo passa.

Tá na hora de respirar fundo e pensar em tudo que nós fizemos de bom ontem e hoje...

Feliz Natal e Feliz 2010!

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Continuação: O que você faz para não esquecer



Continuando: ... Ou seja, está na hora de comemorar, de socializar nossas memórias. Porém, cuidado, pois atualmente "os ritos de recordação concretizam-se como meras cerimônias, sem a seiva da comunhão ritual."(CATROGRA, 2001)
Não adianta a empresa promover um evento sobre seus "x" anos de existência, se ela não reconhece os seus princípios, os seus valores, suas tradições, a essência instalada em suas práticas, o seu modo de reagir frente aos desafios, e, sobretudo, a voz dos seus funcionários e da comunidade que lhe rodeia. Em suma, a comemoração tem que ser de corpo e alma!
P.S.: Sobre o que fazer para não esquecer, agora estou descobrindo um novo instrumento (que não deixa de ser sustentado pela escrita): o Blog. Também é uma forma de registrar memória, pelo o que estou percebendo. Pelo menos, a memória dos indivíduos.
O problema é se der uma pane na Internet (imagina, ela nunca mais existir?!), a tal memória vai para o ralo. Por isso que Pierre Nora tem lá a sua razão por afirmar: "se habitássemos ainda nossa memória não teríamos necessidade de lhe consagrar lugares." Bem, é de se pensar.

O que você faz para não esquecer?


Eu escrevo para não esquecer. Exemplo, antes do vestibular, Enem e demais provas da vida, a minha tática para um melhor estudo é escrever e reescrever aquele conteúdo em algum lugar - se possível, deixar bem à vista, colado na parede, no armário, etc.

Quando se fala de vida pessoal, como eu já disse num dos posts anteriores, minha estratégia (e hobbie) é escrever diários. Tem gente que ri, diz que é coisa de menininha, mas eu sou uma MENININHA! É como se o universo dos diários fosse meu "lugar de memória", conceito citado por Pierre Nora. Estou estudando este gênio, porém, tenho algumas dificuldades.

Achei um autor bem acessível e interessante para a minha pesquisa: Fernando Catrogra. Ele escreveu o artigo Memória e História... Com ele, estou construindo meu raciocínio sobre estas áreas. Segundo este autor, apesar do nascimento da escrita, o rito ainda se mantém como meio mais adequado à construção e reprodução de memórias individuais e coletivas. Catrogra também fala que comemorar é "sair da autarcia da recordação (manifestação potencialmente patológica) e integrar o eu através de práticas simbólicas e comunicativas."

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Quando as leituras ficam complicadas


Pois é, hoje tirei a tarde para ler um livro "Não Lugares: Introdução a uma antropologia da supermodernidade"/Marc Augé... Mas, recorri a uma técnica que não sei se é a certa, mas é necessária quando se tem em mente buscar muitos outros livros: Fui direto ao índice e procurei o assunto que mais fazia sentido para a minha pesquisa. Vou confessar outra coisa também: apesar de História me chamar bastante a atenção, ainda me sinto deveras confusa, até porque meu curso é outro (vocês bem sabem que é Relações Públicas), então bate um sono taãão forte (ainda mais depois do almoço). Preciso de umas aulas com o pessoal das Ciências Humanas!


Mas aos poucos eu vou conseguir, afinal, já consegui nas outras referências. Dentre os livros de História que eu mais gostei foi um sobre História Oral do Paul Thompson. Sim, aquele não deu tanto trabalho. Achei a linguagem bem acessível. Agora, com o "Matéria e Memória" do Henri Bergson, desisti. Não dá, infelizmente o mundo das Relações Públicas ainda está longe dessa abordagem, ou seja, não tenho cadeiras desse cunho histórico. De modo que fico boiando em determinados conteúdos comentados no decorrer das leituras. Aí o sono vem com força total.


Acho que são dificuldades normais numa vida de pesquisador, não é mesmo? Persistência não pode faltar.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Passado e Futuro intimamente conectados

Atualmente a pesquisa está em processo de"procura" por instituições no RS que adotem programas de documentação e memória. Aliás, já passei dessa fase (eta fase difícil, realmente são poucas a que investem em Memória Institucional), agora estou enviando questionários para estudar como procedem diante deste tema.

Por enquanto, é uma questão de paciência aguardar as respostas, mas a minha orientadora falou que é absolutamente normal uma demoradinha. Pesquisa é isso mesmo, nada pode ser com afobação. Estou louca para ver as respostas, tenho certeza que vou me surpreender. Uma coisa é estudar as teorias, ir atrás do que os autores falam. Outra, bem diferente, é ver como andam as coisas na prática. Até porque essa interface das Relações Públicas com a História ainda é incipiente no universo das ações sociais.

... E, se depender de mim, vou disseminar bem a ideia para que ela não seja adotada apenas como uma moda passageira, e sim como uma atitude (consciente e permanente) em busca de melhores relacionamentos com todos os tipos de públicos. Em busca de uma sociedade mais conhecedora de suas próprias raízes, para que possam tomar melhores decisões no futuro.

Sobre a Pesquisa


Pois é, falei, falei, mas sobre a Pesquisa Científica mesmo ainda não me referi. Estou há um semestre realizando-a, e, confesso, ainda parece uma novidade na minha vida. Demorei para entender como ela "funcionava" de fato, acabei ficando surpresa (e muito contente) que sou eu a "maior responsável" pelo trabalho, ou seja, tudo só depende de mim e posso andar no meu ritmo. Até aqui aprendi um monte, sinto-me mais dona do meu trabalho, estou desenvolvendo competências que antes eu era um fracasso - falar no telefone e ter paciência, por exemplo. Isso tudo porque agora consigo enxergar claramente o objetivo, vejo fundamento na minha pesquisa e me envolvo pessoalmente com o tema. Em outras palavras: o tema é tão agradável, que dá para entrar de cabeça nele. (Claro, sempre dando um tempinho para descansar e fazer leituras alternativas.)

O tema de uma pesquisa precisa ter afinidade com o pesquisador. No início, achei meio estranho o título "Memória e Comunicação Institucional: a construção de relacionamentos com base em acervos"... Hoje, após muitas leituras de autores referências na área (Paulo Nassar é o campeão), estou flertando legal com o assunto. Aliás, até já começamos um namoro. Minha adorada pesquisa científica, prometo fazer tudo por você. Brincadeiras à parte, mas é essa a verdade. Enquanto o pesquisador desenvolve o seu projeto, alimenta um gosto por desvendar as hipóteses, aumentando também a motivação pelas descobertas.

Agora, falando em empresas


Levando esse papo para a área das empresas, fica claro que uma organização a qual trabalha apenas centrada no seu presente - sem considerar as suas raízes, a sua cultura, missão e valores - cai no automatismo dos afazeres e na superficialidade cotidiana.O que acontece com os funcionários? Não sabem por que estão ali, qual a razão da empresa também estar ali, o que a empresa tem a ver com o desenvolvimento do país...
Enfim, viram bonequinhos de produção, como se vivêssemos ainda no tempo do fordismo e taylorismo. Aliás, podem até saber qual a razão de trabalharem em tal empresa: receber o salário no fim do mês. Só isso? Portanto, é só devido ao dinheiro que se motivam a "passar o cartão"? Nãããoooo! Vamos mudar essa situação!

Hoje a realidade é outra. Precisamos fortalecer o sentimento de pertencimento, de vestir a camisa com emoção, desejo, sonhos. A empresa necessita "mostrar a sua cara", e não apenas com presentinhos e campeonato de melhor funcionário do mês. A sua verdadeira face se revela quando investigamos o seu passado.

Afinal, o hoje é muito rápido, mutante e instável. Já o ontem é um registro seguro, fiel, imutável e cúmplice. Apoiar-se no presente é como pedir para cair, pois trata-se de um apoio escorregadio. Apoiar-se no passado é ter uma atitude muito mais racional e sábia, porque a partir dele é que construímos certezas.

Lembranças...



Sempre fui uma garota bem nostálgica, cheia de saudades, mesmo dos momentos mais inusitados. Talvez seja por isso que sempre escrevo diários, tiro fotografias, procuro diversas formas de registrar as minhas experiências.
Veja só, guardei um guardanapo de um restaurante só para depois lembrar o quão especial foi aquele almoço!

Bem... Então fiquei muito feliz quando eu soube o tema da minha pesquisa de Iniciação Científica pelo CNPq/ Famecos/ PUCRS: "Memória e Comunicação Institucional: a construção de relacionamentos com base em acervos." Faço Relações Públicas, mas com esse estudo posso desbravar também as áreas da História e Sociologia. Ou seja, é muita interdisciplinaridade - o que eu gosto bastante, visto que ou outros campos sempre têm algo de interessante e curioso para nos apresentar. A-do-ro!

O que seria da gente se não fosse o nosso passado? Os psicólogos são os primeiros a defender o quanto nossa personalidade depende daquilo que nos é transmitido na infância. Para tudo, precisamos saber das origens, pois só assim teremos autoconhecimento necessário para programar a evolução. A ciência só evolui quando descobre as causas, e as causas são inerentes ao panorama histórico do contexto.