Relato de uma Pesquisa Científica

O quanto os acervos e programas de documentação e memória podem ser favoráveis para a construção de relacionamentos entre a instituição e seus públicos? No meio de tanto caos, as relíquias do tempo merecem um pouco mais de atenção, por isso realizo esta pesquisa. Se deixarmos que o passado se degenere silenciosamente, onde ficará a nossa identidade? Instituições são como pessoas, uma amnésia pode derrotar o futuro.

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Fim de um dia de trabalho

Cansada... é assim que estou me sentindo. Agora terei de refletir mais, pois é chegada a hora de fazer a análise dos questionários, escrever artigo, escrever relatório parcial...

Decretei o fim do prazo de entrega dos questionários por parte das instituições contatadas. Ao todo, foram 37 instituições, 23 responderam. Sendo que das 37, uma me afirmou que não adota programas de Memória Institucional (portanto eu me enganei na busca), outra está com o projeto "engavetado", e outras duas têm espaços ainda muito modestos para serem considerados "acervos". Duas me confirmaram que os responsáveis pelos acervos estavam de férias, por isso ficaria difícil responder.

Fiz três tentativas. 9 instituições responderam na primeira chamada, 11 na segunda, 1 (!) na terceira e 1 pessoalmente.

Agora estou sistematizando as respostas e me surpreendendo com algumas. Um dos pontos que me chamam a atenção é que a área da Comunicação ainda pouco está presente nos memoriais. Espero que essa minha pesquise estimule ao novo nicho de atuação. É preciso investigar o quanto os "comunicólogos" podem fazer diferença na hora da instituição contar a sua história. Eis a minha função...

zzzzzzz, que sono, por hoje é só.

domingo, 24 de janeiro de 2010

Relacionamentos são complicados

"É importante que os gestores entendam que a tecnologia disponível no mundo atual não descarta, em hipótese alguma, o ser humano; é fundamental que se conscientizem de que o capital humano é o patrimônio das empresas, que o ser humano é o principal canal de acontecimentos." (Cultura e comunicação organizacional: um olhar estratégico sobre a organização/ Marlene Marchiori, 2006, p. 205).

Sim, são as pessoas que movem os negócios. Pode-se ter um capital imenso, mas o patrimônio humano é inestimável. Não adianta tratar os outros como máquinas, todo mundo tem o seu valor, todo mundo é imprevisível - sem botões de liga/desliga, sem controle automático.
Para entender toda a complexidade e saber lidar com tais desafios, é preciso adentrar na História de Cada Um, na História que envolve o ambiente, na História que motiva ao trabalho. Mesmo que esta apresente teias que nos enredem, mesmo que esta seja frágil devido ao desgaste temporal, a História é a melhor forma de esclarecimento, e, consequentemente, é a terapia necessária também na hora de "vitaminar" os relacionamentos.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Interesse social ou jogada de marketing?


Algo me provoca, me instiga. Nas entrelinhas dessa pesquisa, tenho o desejo de descobrir quais das empresas genuinamente se interessam em investir em projetos de Resgate da Memória, ou, predominam somente as intenções "marketeiras"?

Não gosto de pensar em Relações Públicas como uma função de "modulação da imagem", omitindo as atitudes incoerentes, a exploração da mão-de-obra, as falcatruas nas transições... Defendo que a profissão se volte para o sentido humano, preocupando-se sinceramente com o bem-estar e a satisfação das necessidades de seus públicos. Aliás, não só satisfazer, como também SURPREENDER!

As pessoas passam muito tempo em seus locais de trabalho, assim como nossa vida depende quase 100% de produtos e serviços.... Estamos condicionados ao mercado, e o capitalismo (infelizmente?) não é mais "escolha", é destino de quem nasce e deseja "sobreviver" no Planeta Terra. Portanto, a história das empresas é indispensável para compreendermos a sociedade. Acho um dever que elas publiquem as suas trajetórias. Como elas não são "ilhas", ou seja, a sua sobrevivência depende dos funcionários, clientes, governo, da Natureza, acho imprescindível que tenham esse compromisso de relatar os seus feitos. De que maneira foram importantes para a nossa região ou o nosso país? Qual é o seu lado positivo, ou somente esperam enriquecer os proprietários?

A Memória Institucional também é um direito dos cidadãos. Precisamos estar conscientes do que nos cerca, do que comemos, do que pagamos,... E não aceitamos "maquiagem". A mentira tem pernas curtas.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

A História dos Simples

Uma das maiores vantagens que a Memória pode oferecer a uma Instituição é o espaço para a multiplicidade das vozes. Paul THOMPSON, em seu livro "A voz do Passado - História Oral", examina os efeitos benéficos para a sociedade quando esta expressa o seu passado sob as mais diversas vozes - sem discriminações. THOMPSON privilegia os depoimentos orais no processo identitário de uma população. Segundo ele, a História precisa deste instrumento porque transforma a todos em sujeitos dignos de atenção, valoriza a vida dos que não tem oportunidade de destaque, não classifica, não censura, não exclui - ou seja, a História Oral é alimento essencial para a democracia.

Ao estudar as instituições do RS que adotam programas de Documentação e Memória, começo a me indagar: Mas a quem elas ouviram? Quem está sendo resguardado dos golpes fatais do esquecimento? Somente os dirigentes, os líderes fundadores, a cúpula administrativa? Ou estão enfocando as pessoas mais simples, mas que, sem o esforço delas, a instituição não teria construído os pilares que sustentam o hoje?

Afinal, quem são considerados heróis? Apenas os antigos sócios que decidiram as transações e negócios? Ou também os que trabalharam arduamente para transformar as matérias-primas em excelentes produtos? E ainda aqueles que, com muito suor, trabalharam para deixar limpo o ambiente em que se ergue a instituição?

Quanto mais a história se aproxima das fontes "escondidas", anônimas ou esquecidas, mais ela revela a face da verdade.

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Acervos em si X acervos compenetrados de valores

Faz parte do meu estudo retomar alguns conceitos teóricos. Eu li muito no início da bolsa (setembro-agosto), agora eu vejo que preciso rever as citações.

Bem lá no começo, eu li "Memória de Empresa, História e Comunicação de mãos dadas, a construir o futuro das organizações"/ organizador Paulo Nassar. Na página 23, Karen WORCMAN aborda:

"Trabalhar a Memória Empresarial não é simplesmente referir-se ao passado de uma empresa. Memória Empresarial é, sobretudo, o uso que uma empresa faz de sua história. E dependerá da forma de perceber e valorizar sua própria história que as empresas podem aproveitar (ou perder) a oportunidade de utilizar essa ferramenta fundamental para adicionar mais valor à sua atividade."


Portanto, um acervo em si nem sempre significa construção de relacionamentos.


Uma sala com documentos, fotografias e livros sobre a trajetória da instituição não é sinônimo de uma boa comunicação institucional. Esse quesito vai depender de como a memória é tratada pelos dirigentes e demais funcionários. Se ela é vista como algo estanque, uma dispensa para colocar velharias (ou para colocar aquelas coisinhas que nós não sabemos muito bem o que fazer com elas), então, essa "memória" é só para juntar pó e mofo!


Uma Memória que proporciona vantagens para os negócios e relacionamentos é aquela antecipadamente planejada. Os responsáveis traçam metas; a partir daí selecionam o material que irá ao encontro delas; fazem campanhas para determinados públicos tomarem conhecimento do ambiente; buscam os valores, sentimentos, filosofias que estão "impregnadas" naquela documentação toda.


História é movimento, ação, e não um simples depósito de "peças sem utilidade". História não para, não freia, vai nos tocando para o futuro. A História, todo dia, nos revela um segredo. Porém, apenas se soubermos escutá-la... atenciosa e carinhosamente.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Comunicação Integrada

Ainda falando sobre a leitura de Margarida Kunsch, aprendi que,
assim como para ser belo não adianta ter apenas uma parte bonita,
assim como não cai bem usar um sapato novo com uma roupa toda surrada,
na comunicação ocorre o mesmo fenômeno:
TODAS AS ÁREAS PRECISAM ESTAR EM COMBINAÇÃO, EM SINERGIA!

Kunsch defende que a Comunicação de uma empresa é dividida em: Mercadológica, Administrativa, Interna e Institucional. Apesar de estarem didaticamente separadas, elas devem andar "juntas" para a formação de uma identidade empresarial mais coerente. Se uma sai do compasso das demais, é como um estômago que trabalha fora do normal no corpo humano (boa comparação, hein?!). A comunicação de uma empresa também é um sistema. Qualquer desvio, discordância, recuo ou avanço - em apenas uma das partes - pode deixá-la mais frágil, vulnerável e ineficaz.

Para ser um comunicador de sucesso, o cara tem que virar um escultor de mensagens. Sim, mensagem é fácil de emitir, mas saber compô-la com harmonia e fazer com que ela pareça simpática aos públicos, bem, é trabalho de "artista". Digo "arte" no sentido de que as palavras + ações + projetos + campanhas etc devem formar um todo atraente. Qualquer coisa que não combina, sei lá, faz a obra perder um pouco de seu poder.

Também digo "arte" no sentido de sensibilidade. O comunicador não pode ser só um emissor de informações, ele também tem que deixar o outro lado falar, sentir e compreender as suas necessidades - após, transmitir (de forma correta) para o resto da empresa para que esta tome as devidas providências.

Enfim, uma boa comunicação pode ter várias acordes, provindos das diferentes áreas, mas, em suma, deve formar uma só melodia. Bem afinada, diga-se de passagem.

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Criando um Blog - Mais uma etapa da Pesquisa

Nunca fui muito ligada em tecnologia, internet, mas agora devo admitir que o Blog está sendo uma ótima ferramenta para explorar o projeto. Pelo menos assim eu me cobro para a cada dia escrever alguma impressão sobre o desenvolvimento do trabalho, dissertar sobre o material pesquisado. Além do mais, posso divulgar também a importância da Memória Institucional para contrapôr toda a correria cotidiana.
Guardar lembranças é parar o tempo. Parar o tempo é necessário para melhor saborear a essência da vida. Nem tudo pode acontecer duas ou mais vezes. Infelizmente, quando algo é bom, quase sempre temos de nos contentar com a saudade. Não digo que o ideal seja guardar todos os tipos de velharias, mas sim aquelas que representam as nossas raízes, as nossas bases, o combustível existencial.
Eu, por exemplo, metida à poetisa, nunca colocarei fora os cadernos e pastas com as obras poéticas de minha autoria (mesmo as ruinzinhas). Tais textos dizem muito mais sobre mim do que uma imagem no espelho.
O passado fala por nós, prova o nosso caráter. Ouço muita gente comentando sobre transparência, contudo, só é transparente mesmo aquele que não tem medo de deixar o passado vir à tona.

Retrô parte 4


Fiz contato com todos os responsáveis pelos acervos. O que deu um trabalho tremendo, confesso, não sou muito dada a telefonemas.

Antes de aplicar o questionário propriamente dito, executei um pré-teste com professores de História (professores com algum tipo de experiência, envolvimento com o tema). Essa etapa demorou em torno de uma semana, os professores "aprovaram" (e até elogiaram) o meu instrumento de coleta de dados, acharam as questões bem pertinentes, apenas com algumas ressalvas. Fiquei bem contente por receber um feedback positivo.

A seguir, mais um procedimento: a minha orientadora formatar as questões, de um modo mais fácil de ser respondido por e-mail. Foi rapidinho, ficou pronto em uma tarde. Porém, a impressão que eu tinha é que o tempo passava rápido demais e se aproximava do Natal... E a minha preocupação era que o pessoal entrasse no clima das festas, deixando o questionário "para outra hora". Mas a profe explicou: "Quem quiser entrar 2010 de forma mais leve, procurará responder enquanto é tempo."

Ainda bem que obtive um número bom de resultados, por enquanto. Durante a espera, procurei mais referências bibliográficas e criei este Blog - para me estimular. Quanto mais escrevo e uso a imaginação, mais crio compromisso com o trabalho. Está me fazendo muito bem colocar as palavras no papel... Ops, os dedos no teclado!

Retrô parte 3

Ainda falando de referências bibliográficas (ih, você deve estar de saco cheio desse papo), utilizei um método de fichamento dos livros. Anotava os dados completos da obra (autor, ano, editora, etc), tomava nota de como ela podia contribuir para o meu estudo e transcrevia as citações mais importantes (com o número de suas respectivas páginas).

Além de História, RP e tal, também adentrei no campo da Medicina -psiquiatria. Nossa! Memória é um tema com extensão em diversas ciências. Aí sim fiquei nervosa (novamente!). Mas o Izquierdo, em seu livro "Memória", conseguiu me acalmar, esclarecer-me os pontos básicos sobre o funcionamento da memória no âmbito cerebral, vamos dizer assim.

Após o levantamento bibliográfico inicial (sempre vou continuar lendo, mas agora utilizando conjuntamente outros instrumentos de pesquisa), realizei o MAPEAMENTO das instituições públicas e privadas que mantém programas de documentação e memória. Este mapeamento foi através dos portais corporativos, ou seja, uma pesquisa digital.

Ao contrário da Bibliográfica, foi uma etapa bastante prática, utilizei 4 metodologias.
  • Primeiro, pesquisei no Google, hehehe, a maneira mais tradicional de busca. Utilizei expressões do tipo "acervo histórico", "documentação histórica", "memória empresarial", "memoriais", etc. Assim consegui localizar umas 4 instituições.

  • Segundo, considerei as empresas "As Cem Maiores do RS"/publicação da Revista Amanhã - setembro 2009. Entrei no site de cada uma delas (e também pesquisei no Google publicações sobre elas) para verificar se havia algo relacionado a acervos, a memoriais. Bem, não me lembro muito bem, mas acho que totalizaram umas 13 empresas*.

  • Terceiro, procurei nos sites das universidades do RS quais delas demonstram ações de resgate da memória institucional: os resultados melhoraram , a maioria tem algo nesta área.

  • Quarto método: foi a vez de procurar as instituições públicas do RS com acervos históricos. Usei o site "Sistema brasileiro de Museus" (http://www.museus.gov.br/).

Ao todo, foram 37 instituições encontradas, um bom corpo para a pesquisa. Depois, o negócio era bolar o questionário e saber quantas delas se interessariam realmente em fazer parte do estudo. OBS.: Após, contato por telefone, e-mail e envio de questionários, foram deixadas de lado 4 instituições, pois estas estavam com projetos parados, ou não tinham iniciativas nesse sentido (me enganei na busca) ou então porque ainda possuem espaços muito modestos para serem considerados Memoriais/Acervos.

*Estou sem os dados exatos aqui por perto.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Retrô parte 2

De fato, entrando na Pesquisa, a minha primeira atitude foi ler Paulo Nassar. Através dele, consegui me familiarizar melhor com o assunto, pois até então tudo parecia novidade!
Após o Nassar, passei a pesquisar artigos, trabalhos acadêmicos, publicações sobre o assunto. Lembro-me que estava super empolgada. Encontrei relativamente pouca coisa, mas já era material necessário para servir de base. A seguir, meti a cabeça nas leituras, livros e mais livros, o que eu gosto bastante de fazer. (Confesso que gostaria mais se fosse literatura mesmo, bem, mas aí já são outros quinhentos. Terei de deixar "Assis Brasil", "Moacyr Scliar", "Érico Verissimo", etc para outra hora, hehehe).

Quando enveredei para os livros de História, Antropologia, Sociologia, quase arranquei os cabelos - apesar de querer entender o assunto. Nas primeiras leituras, eu me perguntava se estava louca, o que eram aquelas palavras? Contudo, aos poucos captei a calma, li diversas vezes as mesmas páginas, resolvi ser mais seletiva ns capítulos (ou seja, buscar só o que interessa), consegui vencer o pavor inicial.

Quanto aos livros de Relações Públicas, artigos da área, não foi tão difícil. Afinal, estou há um ano e meio neste curso e os professores conseguiram me transmitir muitos ensinamentos. Claro, houve sim um obstáculo: ESCASSEZ DE LIVROS SOBRE RRPP - AUTORES BRASILEIROS. São 3 0u 4 os mais tradicionais, o resto são dos Estados Unidos. Uma situação que me deixa deveras encabulada é ver a prateleira do meu curso quase vazia em uma das maiores bibliotecas da América Latina. Isso não pode ficar assim! Ei, colegas de Relações Públicas, vamos trazer ciência para a profissão!

Retrospectiva 2009 - Pesquisa Científica


Como terminou 2009 e a onda agora é fazer retrospectiva, eu também farei uma sobre a Pesquisa.

Quando fui convidada para a Bolsa, estava com uma infecção nos sisos do lado esquerdo (os danados eram intrusos e tortos, problematizando toda a arcada dentária). Arranquei, por enquanto, estes desse lado, os outros tinhosos se safaram da extração. O processo de cura da infecção e cirurgia demorou quase duas semanas. O que atrasou meu ingresso na Iniciação Científica.
Além do mais, já estávamos todos atrasados, em nível nacional, devido à gripe suína... São fatos, "acidentes" que fazem parte... Não foram empecilho para cortar o meu entusiasmo - com essa oportunidade de alavancar conhecimento e dar um up-grade no meu currículo. COMEÇAMOS TARDE, MAS COMEÇAMOS COM VONTADE!

A coordenadora do projeto é a Profa. Dra. Cláudia Moura. Ah, sobre mim, faltou informar que estou no 3° semestre de Relações Públicas, turno manhã, Famecos, PUCRS.

Bem, continuando, a profe me passou as instruções, as etapas do estudo, enfim, o projeto propriamente dito. Fiquei ansiosa com aquele mundo novo que se descortinava na minha frente. Aliás, ele estava apenas me convidando. Agora, saber aproveitá-lo: depende só do meu potencial. Avante!